segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Between Love and Hate


Em uma sala fechada e pouco ventilada da cidade de Porto, a maioria dos alunos se concentrava em só uma coisa: O relógio, grudado acima do quadro negro. A professora continuava falando e falando, mas quem tentou prestar atenção percebeu que nem mesmo ela estava pensando realmente na aula. Os minutos passavam devagar demais para o gosto de cada corpo dentro do recinto.
Até que o sino tocou e a gritaria começou mais alta que qualquer outro dia. Férias, o dia que todos almejavam.
Mas claro, Victorie não estava nem notando.

― Vamos Victorie, levante! É férias! ― Gritou alguém que ela passou o ano inteiro sem saber o nome. Ela se levantou, meio a contra-gosto, com cara de poucos amigos.

― Férias? ― Murmurou alguns segundos depois, quando processou a frase do "colega". Era férias. Ela não tinha que se preocupar com nada além dela.

Victorie foi dando um passinho atrás do outro, com a bolsa ao lado do corpo, timidamente. Todos achavam ela estranha, mas era só cautelosa. Não queria ter que enfrentar o rosto dela, ou as férias estariam arruinadas.

Cada aluno que passava por ela desejava um bom natal, sem nem ao menos a conhecerem direito.
Victorie não comemorava o natal.
Nunca comemorou.

Seu coração acelerou cada vez mais ao ver que estava chegando quase na porta de saída. ― Só mais um pouco. ― Murmurou para si mesma.

Foi quando ouviu um grito, do final do corredor, chamando por ela. ― Victorie! Victorie, espere!

Seu corpo tremeu instantaneamente. Era a voz dela. Não queria virar, não podia virar.
Virou. Lá estava ela, como a idiota que sempre foi, esperando por ela. Esperando por Mischa.

― Boas...férias, Vic. ― Disse Mischa, ainda tentando ter fôlego. Tinha corrido todo o caminho, com medo de quando chegar, Victorie já tivesse fugido.

Mischa a olhava com pena. Parecia que era tudo que Mischa sempre sentiu. Os olhos azuis cheios de ternura encarando os olhos castanhos mergulhados de mágoa e tristeza que Victorie carregou por metade de um ano.

Mischa sorriu, complacente. E foi embora.
Victorie a odiava por isso. Mas não conseguia odiá-la, não completamente.
Não conseguia odiá-la pelas lembranças de quando ainda era forte, e não só uma boneca de porcelana que podia ser quebrada com o menor empurrão, com a maior facilidade.
A garota de olhos castanhos ainda tentou pronunciar algo como "merda", mas não conseguiu. Passou a mão pelas bochechas e notou que estava chorando. Pelo menos podia esconder com seu cabelo.

Chegando em casa, a garota desabou. Parecia que tudo que estava guardado durante meio ano veio a tona só em escutar a voz de Mischa, só de encarar seus olhos. Chorou tudo que a mágoa, a frustração, decepção e rancor a permitiram chorar. Pelo menos estava segura, em seu próprio teto, sem nenhuma Mischa por perto para arrancar seu coração do jeito que foi arrancado, fazendo Victorie nunca confiar em amizades novamente.

6 meses.
Seis meses sem uma única palavra, e agora, do nada, vinha um simples desejo de boas férias. Como se elas fossem ser boas depois disso. Como se elas pudessem ser boas depois de tamanha decepção.

Mas foi um ótimo tempo para férias, afinal, precisava se recuperar. Victorie não trocaria seu orgulho.
Não para expôr um coração partido. O seu.

3 comentários:

  1. Boa tarde.
    Desculpa o incomodo, mas venho hoje pedir que olhe com carinho meu blog de resenhas literárias, o O Leitor.
    Se puder fazer parte, agradecemos.

    Obrigada e uma ótima terça-feira. Beijos,

    Pamela.

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  2. Como sempre, um lindo texto.

    De sua Maxxie.

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